RS é pioneiro em responder às reivindicações das ruas, afirma Tarso
Governador do Estado disse que extensão do passe livre estudantil depende das prefeituras
Após protocolar projeto de lei (PL) que prevê passe livre
para cerca de 150 mil estudantes gaúchos, o governador Tarso Genro afirmou que o
Rio Grande do Sul está à frente dos demais estados ao tomar uma medida em
resposta à série de manifestações que tomou conta do Brasil nas últimas semanas.
“Das cinco grandes pautas que foram levantadas pelo movimento popular, pelo
menos quatro delas nós já estávamos antecipando”, disse em entrevista à Rádio
Guaíba nesta terça-feira.
Tarso destacou investimentos em saúde e a redução do preço dos pedágios, pauta que mobilizou caminhoneiros a irem às ruas em protesto nessa segunda-feira. “Nós dobramos os recursos para a saúde, se comparado ao último governo. Temos um sistema de participação popular com cinco estruturas. E tem ainda a questão dos pedágios. Nós não só baixamos como também extinguimos praças de pedágio. O único ponto que começamos a tratar (depois das manifestações) foi a questão do passe livre”, reforçou. O PL foi entregue em regime de urgência à Assembleia Legislativa (AL) e prevê isenção de pagamento do transporte público aos estudantes usuários do sistema metropolitano. “Isso é uma demanda que agrega qualidade de vida e renda à população”, sustentou. O petista, porém, evitou falar sobre a possibilidade de estender o benefício para linhas municipais, por exemplo. “Isso tem que ser tratado com as prefeituras e com o governo federal, que, na minha opinião, tem que subsidiar o transporte coletivo”, resumiu. Ainda sobre os recentes protestos, Tarso exaltou a participação popular, mas lamentou os episódios de vandalismo e violência. Além disso, o petista acredita haver uma interferência da direita em cima da mobilização. “Acho que tem um grande movimento político e social nas ruas. Tem que separar as coisas. Tem, é claro, um sentimento golpista do setor da direita truculenta brasileira e também um movimento forte de uma marginalidade social que nada tem a ver com política, mas aproveita os momentos para, inclusive, prejudicar o movimento, com quebra-quebra”, ponderou. Quando questionado sobre o plebiscito que está sendo articulado para a realização de uma reforma política no Brasil, Tarso disse acreditar que, se a mobilização popular perder força, o processo também pode ser ameaçado. “Acho que se mobilização de rua, a mobilização cívica e pacífica, com pressão, não continuar, acho que o Congresso vai deglutir essa crise e fazer uma reforma de meia sola”, opinou. “A maioria do Congresso é ideologicamente conservadora e pensa apenas na próxima eleição”, sustentou. Tarso defendeu uma constituinte exclusiva para tratar do tema. “Acho que é necessário fazer uma constituinte especifica, com pessoas eleitas para isso, e que não podem concorrer no próximo pleito”, sustentou. “Eu acho, inclusive, que o ideal seria que esse plebiscito tivesse uma pergunta: A reforma deve ser feita pelo Congresso ou por uma constituinte específica? A resposta seria a segunda, com 70%”, ponderou. O governador lembrou que, ainda em 2008, enquanto ministro da Justiça, enviou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma política. Fonte: cp |