terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uruguaiana

PF investiga no RS ligação de coiotes com tráfico internacional de pessoas

Uruguaiana e São Borja são rotas usadas pelos chamados coiotes.
Polícia investiga o motivo de o estado ter entrado no mapa dos estrangeiros.

           
                                   

Uma atividade perigosa comandada pelos chamados coiotes colocou o Rio Grande do Sul na rota internacional de imigrantes ilegais. Na região da fronteira com a Argentina, Uruguaiana e São Borja são duas das cidades que têm sido usadas como porta de entrada para estrangeiros sem documentação no Brasil. Entre as hipóteses investigadas está a possibilidade de ligação dos coiotes com o tráfico internacional de pessoas, como mostra a reportagem do Teledomingo.
Entre os grupos, destacam-se os chineses da província de Fujian, no sudeste do país. Nos últimos três meses, mais de 30 imigrantes ilegais daquela região chegaram ao Brasil via Uruguaiana em seis grupos. Sem documentação, eles foram notificados pela Polícia Federal a deixar o país. Durante a investigação, a reportagem da RBS TV flagrou um grupo de senegaleses que estava em uma lancheria na rodoviária de Uruguaiana. Eles foram se hospedar em uma pousada da região e foram embora antes de ter os documentos analisados pela Polícia Federal.
   "Eles saem de diversos pontos do mundo, China, por exemplo, Coreia, África. E têm como destino a cidade de Uruguaiana. Aqui eles estão reunidos, inclusive podemos verificar que muitos em voos diferentes, datas diferentes. Mas há algo em comum entre eles: são reunidos em Uruguaiana", diz o delegado da PF André Luiz Martins Epifânio.
A rota mais comum começa na China. Depois eles partem para os Emirados Árabes, geralmente passando por Dubai, e de lá vão para São Paulo, onde pegam um voo de cabotagem para cidades próximas. Depois disso eles voltam a Sâo Paulo de ônibus e lá pegam uma linha para Uruguaiana.
Da fronteira gaúcha eles seguem para a Argentina com a ajuda dos chamados coiotes, gente encarregada de levá-los de um país para o outro. Desde junho, a Polícia Federal prendeu 10 suspeitos. Um deles é um chinês que, mesmo sendo proibido de gravar entrevista por orientação dos seus advogados, conversou com a reportagem. Ele negou ser coiote, mas não sabia explicar o que fazia em Uruguaiana. Com ele foram encontrados passaportes de outros seis chineses, carteiras de habilitação em branco e uma agenda com contatos de várias partes do mundo.
O outro é um argentino que está preso por participar, segundo a policia, de um esquema de transporte ilegal de estrangeiros. A responsabilidade dele: acomodar os imigrantes ilegais em Uruguaiana. "Eu estava no Brasil. Me mandaram levar umas pessoas no hotel e aí chegou a polícia e me pegou", garante o homem. O suspeito ainda diz que trabalhava como taxista na cidade argentina de Paso de Los Libres e revelou que foi contratado por um cliente que conheceu no país. "Eu só vim para hospedar os passageiros. Hospedá-los no hotel, nada mais. Para isso eu fui pago", conta.
Para escapar das investigações da polícia, intensificadas nos últimos meses em Uruguaiana, os coiotes ampliaram a área de atuação. Uma nova rota de entrada começou a se desenhar na Fronteira, por São Borja. Há duas semanas, um grupo de quatro chineses foi identificado na cidade. Mas apesar das prisões e das descobertas feitas pelos investigadores federais, ainda falta uma certeza: o motivo de a região estar na rota da entrada ilegal de estrangeiros.
"Para a policia, trata-se de uma organização criminosa maior e não apenas com envolvimento no ingresso irregular do estrangeiro, mas com envolvimento em tráfico internacional de pessoas. Aí sim é quando tem o mero ingresso no país com uma finalidade específica, exploração sexual, exploração de trabalho", diz o juiz federal Guilherme Beltrame.

Fonte: G1 18/09/2012

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