Comissão da Verdade restringe investigações a agentes públicos
Resolução determina que crimes cometidos por opositores não serão apurados
Palácio do Planalto no amanhecer em Brasília
(André Coelho/Agência O Globo)
A Comissão da Verdade vai restringir suas investigações a agentes
públicos e excluir apurações sobre crimes cometidos por opositores da
ditadura. Resolução publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União estabelece que cabe à comissão "examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos" praticadas no período.
O alvo das investigações da comissão era questionado desde a sua
criação. Setores ligados aos militares reivindicavam a apuração de
crimes cometidos por grupos de esquerda opositores do regime, alguns
deles classificados à época como terroristas. Desta vez, no entanto, a
resolução apenas referenda o acordo informal dos integrantes da
comissão, signatários de acordos internacionais de defesa de direitos
humanos, para se concentrar em "agentes públicos, pessoas a seu serviço,
com apoio ou no interesse do Estado". Consideram que os opositores ao
regime já haviam sido anteriormente punidos pelo próprio estado.
Ainda segundo o texto, não caberá à Comissão da Verdade voltar a
analisar decisões já tomadas pela Comissão de Anistia e pela Comissão de
Mortos e Desaparecidos.
A Comissão da Verdade foi instalada em maio último e, desde então, tem
se reunido às segundas-feiras, geralmente em encontros secretos. É
composta pelo ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, o
ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, o
ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, a psicanalista Maria Rita Kehl,
o advogado José Paulo Cavalcanti Filho, o diplomata Paulo Sergio
Pinheiro e a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, que chegou a defender
a presidente Dilma Rousseff durante os anos de ditadura.
Fonte: Veja 18/09/2012